Taurasi: conheça a vila medieval que elabora um dos melhores tintos da Itália



Andreia Debon, especial da Itália


A Itália está repleta de pequenos e encantadores vilarejos medievais. De Norte a Sul há sempre uma cidadezinha que cresceu e ganhou os contornos arquitetônicos da Idade Média. Muros, castelos, igrejas e ruas de pedra são estilos comuns encontrados pelos turistas que as exploram. Em muitas dessas vilas também se elaboram vinhos, como em Montepulciano, na Toscana, que é bem conhecida dos brasileiros. Lá se elaboram os famosos vinhos Rosso de Montepulciano e Vino Nobile. No entanto, ao sairmos um pouco dessas regiões bem turísticas, nos deparamos com lugares ainda mais incríveis. Na região da Campania, no Centro Sul do país, há uma vila medieval dos anos 1100 chamada Taurasi. Está localizada na Província de Avellino, uma região caracterizada por vistas de tirar o fôlego e paisagens inesperadas.


Taurasi é um local mágico, com uma atmosfera bucólica, cercado por vinhedos, olivais e bosques. Caminhar pelas vielas desse lugarejo com cerca de dois mil habitantes – e aqui vale enfatizar a simpatia e receptividade das pessoas - é voltar no tempo e se deslumbrar a cada nova paisagem que se abre entre portas e portões das construções históricas. E o melhor: está localizado a pouco mais de uma hora do aeroporto de Nápoles.

Taurasi é também o nome do principal vinho tinto elaborado neste pequeno território. É um DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), elaborado com a uva Aglianico (85%, no mínimo), variedade tinta mais importante da Campania – região da Itália conhecida pela bela Costa Amalfitana. É considerada uma das três melhores tintas da Itália, ao lado da Nebbiolo e da Sangiovese.


Essa uva tem como principal característica sua estrutura, taninos elegantes e acidez, o que faz com que seus vinhos tenham boa capacidade de envelhecimento, rivalizando, assim, com os grandes tintos do mundo. É uma das uvas autóctones locais, junto com Falanghina, Greco di Tufo e Fiano di Avellino. A Aglianico demanda bastante sol para ficar madura e seu ciclo vegetativo é bastante longo, com a colheita ocorrendo em novembro, em alguns casos – Na Itália a colheita, diferente do Brasil, acontece no segundo semestre.

O Taurasi é um vinho DOCG de cor vermelho rubi intenso, tendendo a granada. Seus aromas e sabores são complexos e intensos. O envelhecimento é de, no mínimo três anos, dos quais pelo menos um deles em barricas de carvalho. Se este período de três anos for estendido para quatro anos, dos quais pelo menos 18 meses em barricas de madeira, o vinho pode obter a denominação de Riserva.


A Bon Vivant visitou Taurasi e participou de uma Masterclass com dezenas de vinhos Taurasi. O local escolhido para a segunda edição do evento, o qual reúne jornalistas de diferentes países, foi o ponto turístico mais importante da vila chamado Palazzo Marchionale (primeira foto deste post). Um espaço belíssimo, cheio de histórias e arte, e localizado no centro histórico do vilarejo. O evento foi organizado pela prefeitura de Taurasi, com colaboração do jornalista e escritor holandês, Paul Balke, um entusiasta dos vinhos italianos.


A degustação aconteceu em dois dias diferentes. Intercalando com o evento o grupo fez visitas a vinícolas do território. E desses dias muito especiais em Taurasi, uma conclusão: O Taurasi é um vinho especial, que tem muito espaço para ganhar, inclusive no Brasil, onde ainda é pouco conhecido. E, mesmo sendo um vinho que utilizando-se técnicas de vinificação modernas pode-se beber com três ou quatro anos, é importante que o vinho permaneça mais tempo na garrafa para ficar harmônico. É um tipo de vinho que deve, preferencialmente, ser consumido com uma gastronomia mais pesada, como carnes de caça e condimentadas, queijos duros e massas com molhos à base de carne. Deve ser servido a uma temperatura que pode variar entre 16 e 18 graus. Um vinho que, com certeza, irá ganhar o seu paladar!


Dica: Se você ficou interessado em conhecer Taurasi e a belas paisagens, a dica é alugar um carro em Nápoles. Depois, seguir um mais ou menos uma hora até chegar no vilarejo. Nós nos hospedamos no b&b Antiche Dimore Taurasi (foto abaixo), uma casa medieval super aconchegante. (Clique aqui para conhecer). Se hospedando lá, com certeza o proprietário, Antônio Buono, irá dar várias dicas de onde apreciar o melhor da gastronomia local.





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