As lições de uma empreendedora do enoturismo no Brasil

June 10, 2019

 

Bruna Cristófoli tem 32 anos. Natural de Bento Gonçalves, nasceu de uma família de viticultores. Seus pais, Loreno e Maria de Lurdes, sempre a incentivaram a continuar trabalhando com a uva e com o vinho. Por isso, em 2004 ela se formou em Técnico em Enologia e em 2007 no Superior de Viticultura e Enologia. Depois de formada foi ajustando processos e melhorando o desempenho da vinícola familiar. Hoje, junto com o irmão Lorenzo e a prima Letícia, Bruna faz com que a Cristofoli Vinhos de Família, localizada no distrito de Faria Lemos, em Bento Gonçalves, seja conhecida não só pelos vinhos, mas, principalmente pelo trabalho que faz em prol do enoturismo na Serra Gaúcha. Bruna é a segunda entrevistada da série que tem o objetivo de apresentar jovens empreendedores do enoturismo no Brasil. Conheça a sua história a seguir:

 

Bon Vivant: O enoturismo cresce em todo o Brasil, e a Cristofoli é case quando se fala no assunto. Quando a vinícola decidiu investir forte nesse segmento e o que ele representa para a empresa?

Bruna Cristofoli: Nós sempre recebemos pessoas que passavam pela frente da empresa porque estamos na margem da ERS 431 em Bento Gonçalves, e muitos que viam se tratar de uma Vinícola, acabavam parando para comprar vinhos. Neste momento percebemos que tínhamos uma ótima oportunidade, receber os clientes na nossa Casa, mostrar quem somos e como fazemos nossos vinhos. Então, há 9 anos decidimos que seria necessário preparar um local para recebê-los com conforto e bom gosto. Assim transformamos o lugar onde iniciamos a produção de nossos vinhos em nossa Loja de Vinhos. Aliado a este momento eu participei de uma missão de Benchmarking em Enoturismo no Chile e na Argentina, a viagem foi apoiada pelo Sebrae e conduzida pela consultora Ivane Fávero. O resultado fui muito bom, voltei com muitas ideias, e além da loja de vinhos, começamos a vender serviços agregados, que são as nossas Experiências. Hoje esta atividade representa uma fonte significativa de receita para a Empresa e de imagem agregada à marca. Graças à nossa criatividade e grande exigência no serviços, conseguimos atrair muitos turistas, mesmo não estando localizados no Vale dos Vinhedos, que é um dos principais indutores do Enoturismo em Bento Gonçalves.

 

Bon Vivant: A região tem muito para crescer. Na sua opinião, quais são as principais dificuldades que os segmentos do vinho e do turismo enfrentam atualmente?

Bruna: Eu penso que o grande ‘propagandista’ do Enoturismo é o vinho em si e uma marca coletiva forte de vinhos de um território. Então enquanto sofrermos com a alta carga tributária, o “custo Brasil” e com gargalos de logística, continuaremos tendo muito trabalho árduo para levar os nossos vinhos a todos os rincões deste Brasil e do mundo. Quanto mais pessoas provarem da qualidade dos vinhos brasileiros, mais poderão ter o interesse despertado em vir conhecer quem são as pessoas e os lugares que fazem esta bebida. A falta de conhecimento sobre o vinho brasileiro, pode atrasar o Enoturismo, porque ninguém ‘ama’ aquilo que não conhece, e aí as pessoas acabam indo viajar para outros destinos de Enoturismo do mundo e somente depois vem conhecer o da sua casa. Precisamos também buscar facilitar a chegada dos turistas ao nosso destino (no meu caso a Serra Gaúcha), com aeroporto eficiente, bem servido em voos e serviços, com estradas em condições, porque temos rede hoteleira, restaurantes e atrativos de muita qualidade, e sempre melhorando mais.

 

Bon Vivant: Que tipo de incentivo as vinícolas deveriam receber para poder investir ainda mais nesse setor que faz crescer a economia?

Bruna: O principal incentivo é a redução e a simplificação da tributação e legislação. A tributação interestadual (e estadual) com a Substituição Tributária penaliza empresas e consumidores, fazendo com que os vinhos, em alguns casos, dobrem de valor antes mesmo de chegarem ao Ponto de Venda. Assim as Empresas conseguirão mais energia para criar novidades, para atrair clientes e distribuir melhor os produtos.

 

Bon Vivant: A Cristofoli foi uma das pioneiras em criar diferenciais para seus turistas, como o Edredom nos Parreiras. Quem idealiza os roteiros, passeios e outras atividades voltadas ao enoturismo dentro da sua vinícola?

Bruna: Nós contamos há muito tempo com o apoio dos consultores do Sebrae, também dos Empreendedores do Tour da Experiência junto com o SEGH. Já tentamos várias coisas, erramos muito, acertamos também, temos uma boa bagagem de experiência de trabalho e com isso hoje estamos muito mais confortáveis para desenhar experiências de forma autônoma, mas não dispensamos o apoio das Instituições acima, porque são mais profissionais pensando e assim a chance de êxito é maior. Também mantemos uma cultura empresarial de constante pesquisa sobre experiências de Enoturismo em diversos destinos consolidados em outros países. E estamos com um olho sempre atento em outros setores e vendo como poderemos adaptar as coisas para nossa realidade. 

Bon Vivant: Qual é o roteiro/passeio mais procurado pelos turistas na sua vinícola?

Bruna: O Edredom nos Parreirais com certeza. Mantemos desde o início a mesma filosofia, de ser uma experiência privativa, com muita personalização e alta exigência no atendimento e nos produtos que incluímos – apesar de termos levado quase um ano para vender o primeiro! Ainda bem que não desistimos!

 

Bon Vivant: Quais são os seus planos? Pretende permanecer no negócio da sua família?

Bruna: O plano é continuar! Estamos trabalhando firme para que a expansão da Vinícola - do nosso portfólio e dos serviços que oferecemos, bem como para a profissionalização e governança do negócio, que é familiar.

 

 

 

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